Publicado em: 20/09/2019 - 06:37:02

'MINHA PRAÇA MUTILADA' - poema expressando indignação!
 

"MINHA PRAÇA MUTILADA" - poema onde expressei minha indignação pela destruição (ou descaso) com as dependências da PRAÇA CENTRAL ERNESTO SOLON BORGES, no centro de Camapuã (MS). Fotos "inteiras" e fotos "estragadas". AINDA BEM QUE A CONSCIÊNCIA ESTÁ CHEGANDO! Vamos aplaudir!


MINHA PRAÇA MUTILADA (Etevaldo Vieira de Oliveira – 1917)


Minha praça mutilada
Camapuã nascente, crescente,
Sonhos efervescentes,
Na flor da idade...
Pessoas de sonhos ardentes
Em espaço doado quando da nascença do município,
Por um abnegado cidadão,
Desapegado aos bens materiais,
Que hoje dá nome à rua que a beija pela lateral poente.


De fato,
Cândido Severino sonhou com um espaço
De diversão e lazer,
Para crianças e adultos.
Lá se veio anos e anos,
O vilarejo crescendo,
Ruas se abrindo e casas se levantando...
Aos meus seis anos
Jogava “bolitas” e corria pelas manilhas de concretos
Que ficavam depositadas em seu território...
Assisti brigas e “melado” descendo
Assim como dentes quebrados e olhos inchados.
Muitas vezes corri de medo...


A vila virou cidade,
Vieram administradores,
Um até que dá o nome à minha praça mutilada:
Ernesto Solon Borges...
Isso mesmo, o primeiro prefeito de Camapuã.
Há muitas décadas, enfim,
Um prefeito a calçou e coloco bancos de concretos.
Quando de minha adolescência, quando visitava a cidade,
Notava que a minha praça era a praça dos enamorados,
Dos desfiles escolares e cívicos,
Do encontro dos jovens de então
De ideais que vicejaram grandes realizações.


Tempo se foi... tempo vai e tempo vem,
Praça reformada e bonita, mas fechada,
Como se fosse impedido o acesso livre...
A marca da Bandeira Municipal em sua entrada principal,
Como símbolo da coroa da “Princesa do Vale”.


A marca dos antepassados resinados em seus muros internos:
Para que a história não morra no tempo;
Estampado em imagens baralhadas de séculos atrás:
Morros, índios, jesuítas, bandeirantes e monçoeiros...
Cocar, flechas e bordunas.... nas mãos dos caiapós dos cerrados...
Bacamartes, indumentárias de couro, canoas e rios,
Serviçais, crucifixos e armas...
De nossos jesuítas espanhóis.
Vestimentas galantes dos bandeirantes paulistas... e...
Imagens e cenas marcantes dos monçoeiros do ouro...


Do ouro de Cuiabá, da conquista do oeste,
Da ganância do homem às conquistas...
Às custas de vidas escravizadas, negros, índios e mamelucos...
Cuja terra preta e vermelha foi “adubada a sangue e suor”,
De marimbondos que a fortaleceu com seus ossos.
O símbolo cristão não foi esquecido,
Está enterrado, em concreto e granito,
Expondo os dez mandamentos...


Poucos param para ler, mas deveriam...
Naquela placa altaneira está nossa segurança!
Mas, com tanta beleza histórica,
Com tanto sentimentalismo e nostalgia,
Minha Praça foi mutilada...


Arrancaram um pedaço dela,
Deixaram-na com cicatriz,
Tiraram o símbolo da realeza,
Tiraram a coroa da “Princesa do Vale”,
Tiraram o estandarte de ferro, em forma de coroa,
Que simbolizava a entrada principal.


Faltando um pedaço,
Minha Praça continua com sua maestria,
No entanto, mutilada...


E agora eu pergunto: vai haver regeneração?
Vai haver revitalização?
Vai haver sentimentos de preservação da simbologia?


Continua sendo minha Praça,
Com as mesmas histórias contadas em seus desenhos murais resinados,
Com a mesma nostalgia, lembrança e cristandade;


Mas...
Mutilada, minha Praça Ernesto Solon Borges grita por socorro:
“ME PRESERVEM, POR FAVOR... E POR AMOR!...


Fotos: Etevaldo Vieira/Camapuã News