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> Camapuã / Divulgação cultural

Publicado em: 17/10/2019 - 08:55:11

POEMA: 'A Lenda da Canoa Assombrada', em Camapuã (MS)

LENDA DA CANOA ASSOMBRADA (Livro 'Momentos', de Etevaldo Vieira de Oliveira)


Desde os primórdios tempos
De lutas, de viagens e
De desbravamento,
Da chamada “Marcha para o Oeste”
Camapuã entrou para a história do Brasil.


Os bandeirantes sagazes,
Arremessavam Tietê abaixo
Em procissão de canoas
Até o Rio Paraná.    
E de lá
Tomavam o Rio Pardo acima,
Ribeirão Capim Branco acima,
Enquanto navegável.
O mais alto trilho navegável
Da Bacia do Rio Paraná.

Por uma distância de aproximadamente
Treze quilômetros,
Carregavam canoas às costas.
Construíam “zorros”,
Nome dado a uma espécie de troncos sobre rodas largas de madeiras,
Que eram puxados pelos escravos e índios aprisionados.
Esses pobres viventes não jorravam suor de suas entranhas
Mas sim sangue das chicotadas,
Ante a violência dos atrozes bandeirantes.
Rompiam cerrados,
Passavam pela Lagoa Sangue Suga
Pequena lagoa – que hoje não reflete mais aqueles áureos tempos.
Subiam serras,
Desciam vales
E chegavam ao Ribeirão Camapuã,
Exatamente onde foi posteriormente a Fazenda Camapuã,
O mais alto trilho navegável
Da Bacia do Rio Paraguai.
É o local onde hoje está plantada a nossa Princesa do Vale,
A nossa Camapuã.
Deslizavam ao Rio
Cortavam selvas e
Venciam “curixos”.
Rio Coxim,
Rio Taquari,
Rio Paraguai,
Rio São Lourenço,
Rio Cuiabá,
E atingiam Cuiabá.
Enfrentavam índios caiapós,
Guaicurus e Paiaguás,
Cavaleiros e canoeiros,
Aprisionava-os, matavam-os...
Dizem os místicos de hoje e diziam os sábios antepassados,
Que a terra vermelha que hoje pisamos,
É o símbolo do sangue dos escravos surrados...
E dos índios assassinados,
Pelos “heróis” bandeirantes.
Enfrentavam pestes,
Cavavam terra,
Achavam ouro, muito ouro...
Enriqueciam,
Adoeciam,
Morriam...
Matavam...


Enterravam ouro,
Eram enterrados.
Almas estúpidas,
Orgulho de hoje, nosso orgulho.
Mas atrozes daquela época, sem piedade...
Surravam escravos,
Aprisionavam índios,
Tornando-os também escravos
Até a morte.


Esses bandeirantes
Tão ruins que buscavam a morte
Grande parte partia,
Mas jamais voltava.


Retorno difícil:
A descida do Rio Cuiabá, do São Lourenço,
Vazantes sem fim,
A descida do Rio Paraguai,
Labirintos perigosos e traiçoeiros;
A subida do Rio Taquari,
A subida do Rio Coxim,
A subida do Rio Camapuã...


Lutas, dificuldades, canoas pesadas...
Índios bravios, atrevidos, traiçoeiros,
Flecheiros, guerreiros...
Que amavam a terra, que amavam a liberdade.
Ah! Guaicurus e Paiaguás,
Das planícies alagadas...
Ah! Caiapós,
Os homens brancos o extirparam dos cerrados, da terra...
Ah! Cerrados,
Que também foram destruídos pelos homens
Que se dizem civilizados.


Homens esfaimados, decadentes,
Chefes descrentes,
A maioria pedindo a morte,
Não só da natureza, da fauna e da flora,
Mas de toda a nossa descendência.
As canoas não pesavam mais,
No “Varadouro de Camapuã”,
Muito ouro enterrado,
Muitas vidas ceifadas
Muitas crendices plantadas
Muitos mistérios,
Mistérios...


Adeus Ribeirão Capim Branco,
Adeus Rio Pardo,
Adeus Rio Paraná,
Adeus Rio Tietê,
Adeus Porto Feliz, um dos extremos.
Adeus primórdios de Camapuã,
O tempo sepultou as canoas aventureiras.


Esses intrépidos que morreram
Que deixaram ouro reluzente enterrado,
Nos pontos destacados das cercanias,
Das selvas, dos morros, dos vales.   
Entretanto, creiam,
Os astutos bandeirantes,
Hoje ainda navegam
Na “Canoa Assombrada”
Que cruza a distância.
Suas almas pedem socorro,
Almas afogadas,
Almas flechadas,
Almas assassinas.
Querem notícias de seus parentes
Querem os tesouros perdidos
Nessas distâncias perdidas,
Nesses elos confundíveis.

Muitas estrelas cadentes
Que riscam o céu às madrugadas,
Anunciam ouro, indicam rumos.
Muitos aventureiros de hoje,
Escravos livres de algemas,
Mas presos em crendices,
Presos em “estórias” que superam os tempos,
Buscam ouro nas encostas,
Buscam ouro nos cumes,
Buscam ouro nos vales,
Buscam a “Canoa Assombrada”
Navegando ou encalhada,
Nos leitos dos Rios Camapuã e Coxim.


Feliz de quem vê a “Canoa Assombrada”,
Fica rico, muito rico,
Mas o azar:
Pobre de quem vê a “Canoa Assombrada”,
Fica louco, muito louco,
Morre louco,
Balançando nas águas da loucura.


Foto: Divulgação Camapuã News/Etevaldo Vieira - Desenho de Hércules Florence (1826-1827)




 

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