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Publicado em: 16/03/2019 - 10:20:22

Caramujos africanos podem trazer doenças graves

(Foto: Divulgação | UCDB)



Caramujos africanos são moradores ocultos de áreas como pomares, hortas, terrenos baldios e até mesmo do jardim da sua casa. Mas, basta uma chuva – como as dos últimos dias – para que os moluscos saiam das tocas e deem as caras por aí.



Além de verminoses comuns, caramujos podem transmitir duas graves zoonoses (Fotos: Divulgação | UCDB)

O que muita gente não sabe, entretanto, é que estes animais podem causar riscos à saúde e por isso mesmo precisam ser combatidos. Isso porque os caramujos africanos, a espécie que foi introduzida no país na década de 1980, podem ser transmissores de duas graves zoonoses, causadas por vermes do mesmo gênero.


Uma delas é a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis. Normalmente, ratos são o destino final do parasita, mas o homem pode se envolver acidentalmente neste ciclo. Devido ao difícil diagnóstico, a doença pode ser fatal.


Outra grave zoonose é a angiostrangilíase abdominal, causada pelo Angiostrongylus costaricensis. A doença costuma ser assintomática, mas, como os vermes se alojam nas parede intestinais, podem causar a ruptura e, consequentemente, até mesmo o óbito das vítimas, dentre as quais estão humanos.


O que fazer, então, para se protejer dos riscos trazidos pelo caramujo africano?


Pesquisa


Estudante faz coleta do molusco após a chuva (Foto: Divulgação | UCDB)

Entender como ocorre o ciclo dessas doenças e quais os potenciais riscos dos moluscos em Campo Grande despertou a atenção de pesquisadores da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). Desde 2016, o grupo Malacologia UCDB desenvolve trabalho que, atualmente, já realiza coleta dos moluscos após dias de chuva, nas diversas regiões da cidade.


O objetivo é estudar os animais em laboratório e identificar ou não a presença de larvas de Angiostrongylus, que causam as zoonoses. Após a coleta, os pesquisadores retiram os moluscos das conchas e submetem a um processo conhecido como digestão articial, no qual os animais ficam imersos em uma solução de ácido clorídrico por 6h. Após esta etapa, as amostras são analisadas no microscópio, onde podem ser identificadas.


Atualmente, sob a tutela da professora Daniela Decanine, doutora em patologia humana e experimental, o projeto conta com quatro alunos, dos cursos de biologia e de biomedicina, que receberam treinamento especial da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), referência na América Latina em pesquisas que ajudam a desenvolver políticas de saúde.


Das sete regiões da cidade, três já foram alvo de coletas dos caramujos: Imbirussu, Segredo e Bandeira. Nesta última, no entanto, foi observado que a presença de moluscos após as chuvas era bem mais que nas demais.


Animais são levados para laboratório para análise (Foto: Divulgação | UCDB)

A boa notícia é que as análises laboratoriais não identificaram a presença de nem do Angiostrongylus cantonensis e nem do Angiostrongylus costaricensis. “Encontramos diversas outras larvas, que acometem mais animais domésticos, como cães e gatos, mas não os que podem afetar humanos. São vermes como Ascaris e Ancilóstomos”revela Decanine.


Segundo ela, além de expandir a área de coleta dos caramujos para as demais regiões da cidade, o grupo também quer iniciar a coleta de lesmas – que assim como os outros moluscos, fazem parte do ciclo de algumas doenças.


“Já há relatos científicos que trazem as lesmas como transmissores das mesmas doenças que os caramujos. Nosso objetivo é comparar esses animais e as larvas que eles carregam”, acrescenta.


Cuidados com o extermínio


A docente destaca que, apesar das graves zoonoses não terem sido identificadas, os caramujos precisam ser exterminados. Mas, há maneiras corretas de fazer tal procedimento sem colocar a saúde em risco.


Deve-se usar luvas para fazer a coleta dos animais, antes de deixá-los por 24h em mistura que vai eliminar os riscos à saúde (Foto: Divulgação | UCDB)

Normalmente, os caramujos saem das tocas após a chuva. É quando a catação deve ocorrer, sempre utilizando uma luva ou saco plástico. Após isso, os animais devem ser colocados em um recipiente contendo 3/4 de água e 1/4 de água sanitária por 24 horas.


“Após isso, o molusco vai dissolver e não vai mais oferecer riscos. A água suja pode ser jogada na privada e a concha deve ser jogada no lixo, pois se ficar no ambiente ela pode se tornar reservatório de mosquitos como o da dengue, por exemplo”, detalha Decanine.


(Foto: Divulgação | UCDB)





 

Midiamax / Camapuã News

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