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> Cultura / Poesias

Publicado em: 10/01/2018 - 09:19:59

Cultura-Poesia: 'Retratando o chamado 'Homem de Cor'

RETRATANDO O CHAMADO “HOMEM DE COR”
Autor: Etevaldo Vieira de Oliveira (inédita)


Os meus bisavôs foram escravos...
Os meus avôs paternos eram negros... pretos mesmos,
Os meus avôs maternos eram negros... pretos mesmos,
O meu pai e a minha mãe também eram negros... pretos mesmos,
E EU, SOU PRODUTO DA COR PRETA, NEGRA OU MORENA...


Sofri e ainda sofro preconceito...
Comumente me chamam de “homem de cor”...
Mas eu não sou “homem de cor”: eu sou é preto mesmo!


POIS,
Quando nasci era preto,
Quando cresci, continuei preto,
Na alegria ou na tristeza: sou preto,
Na saúde ou na doença: sou preto,
No sol escaldante ou no frio congelante: sou preto,
Na intrepidez da coragem ou no susto do medo: sou preto,
Sequer a água constante consegue desbotar a minha pele: sou preto.
Sou preto em qualquer hora ou situação, mesmo humilhado ou elogiado.
Sou feliz preto e por ser preto;
Tenho certeza que vou preto e serei sepultado preto.


ENTÃO LHE PERGUNTO:
- Você que se gaba de ser branco o que tem diferente de mim?
Se o seu sangue é vermelho como o meu,
Seu coração pulsa como o meu,
Você nasceu como eu e o seu primeiro ato humano foi como o meu: o choro.
Você sente dor, alegria, tristeza, frio ou calor do mesmo modo que eu.
Respiramos do mesmo ar e tomamos da mesma água... Senão perecemos!


A DIFERENÇA, SEGUNDO O DITO POPULAR É QUE:
“Você nasce da cor de leite ou rosado,
Você cresce e fica branco,
Se tomar sol fica vermelho,
Se sente frio fica roxo,
Quando fica doença fica amarelo,
Quando leva susto ou tem medo fica verde,
Por tudo isso, dificilmente você vai morrer “branco”...
E depois de morto vai ficar cinzento.
Então, “homem branco”... É você que é o homem de cor!”
Que como um camaleão, a cada circunstância da vida muda de cor.


ENTÃO,
“Entenda que o preto é preto, em quaisquer circunstâncias
Ou evento da vida.
Rigorosamente preto,
E pare de me chamar de “homem de cor.”


Foto/Montagem: Divulgação - Avôs do autor, Jonas Vieira(materno) e Joaquim Pereira(paterno)




 

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