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Publicado em: 03/06/2017 - 09:28:09

Um giro pela história - poeta Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense - Poeta - Compositor




Muitos acreditam que Catulo da Paixão Cearense era um nome artístico adotado pelo famoso poeta do passado, mas não é nada disso. Esse era mesmo o seu verdadeiro nome, filho do ourives e relojoeiro Amâncio José da Paixão Cearense e de Maria Celestina Braga da Paixão, que moravam em São Luiz, no Estado do Maranhão.


Quanto à data de seu nascimento, alguns autores o identificam como sendo 8 de outubro de 1863, ao que parece ser a data mais correta, outros no entanto afirmam ser 31 de janeiro de 1866, e dizem que essa data foi arranjada para ele conseguir uma promoção num serviço público, mas isso não tem lá muita importância, pois a única diferença é o fato dele ter vivido um pouco mais ou menos.


Quando o pequeno Catulo tinha 10 anos de idade, seus pais e seus dois irmãos se mudaram para o sertão do Ceará, onde seus avós maternos, de origem portuguesa, tinham uma pequena fazenda para aqueles lados e assim eles permaneceram lá até 1880, quando Catulo, seus irmãos Gil e Gerson, e seus pais, se mudaram para o Rio de Janeiro, no bairro do Botafogo, onde o pai de Catulo abriu uma relojoaria.


Essa época em que eles moraram no sertão do Ceará, marcou profundamente a vida do pequeno Catulo, e isso ia ser sempre um registro profundo em suas obras posteriores. Quando chegou ao Rio de Janeiro, Catulo já estava com 17 anos de idade e passou a freqüentar as repúblicas de estudantes onde conheceu os compositores Anacleto de Medeiros, Quincas Laranjeiras, o flautista Viriato e o cantor Cadete, que eram os grandes nomes do Choro daquela época.


Por esse tempo aprendeu a tocar um pouco de flauta, mas achou melhor trocar pelo violão e aos 19 anos já não queria mais saber de freqüentar a escola. Apesar de Catulo ter pouco freqüentado a escola, ele sempre foi um autodidata autêntico e grande parte de sua cultura foi conseguida através de livros que adquiria, além de aprender música e fazer versos quase que naturalmente, como que já nascesse com esse dom.


Em fins dos anos de 1880, seus pais faleceram e assim foi arranjar trabalho, foi continuo e estivador, depois voltou aos estudos matriculando no Colégio Teles Meneses, traduziu poetas famosos e também passou a lecionar línguas, e logicamente freqüentava os meios boêmios da cidade. Conheceu o dono da Livraria do Povo, o livreiro Pedro da Silva Quaresma, que aceitou editar os folhetins de cordel, contendo os repertórios de modinhas, lundus e cançonetas da época.


Pouco tempo depois as suas canções já eram cantadas em gravações de Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete e Vicente Celestino, entre outros, fazendo um grande sucesso no país inteiro, com sucessos como “Luar do Sertão”, “Ontem ao Luar” e “Caboca di Caxangá”, entre outros tantos, e publicou também diversas obras, muitas vezes reeditadas. Algumas de suas composições musicais, Catulo fez em parceria com Anacleto Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Francisco Braga, entre outros.


Catulo foi um dos poucos poetas, e talvez o único poeta brasileiro que se tornou imensamente popular ainda em vida, recebendo todas as glórias e honras, além de admiração de todos. Sabia como ninguém explorar suas qualidades para o seu sucesso. Apesar disso tudo morreu muito pobre, pois torrava tudo que ganhava em suas boemias.


Os seus últimos dias foram num barracão, numa rua em Engenho de Dentro, que atualmente é conhecido como rua Catulo da Paixão Cearense, no subúrbio carioca. Catulo morreu no dia 10 de maio de 1946, aos 83 anos de idade. Foi embalsamado e exposto à visitação pública até o dia 13 de maio, quando foi enterrado no cemitério Francisco de Paula, no Largo do Catumbi, ao som de “Luar do Sertão”, seu maior sucesso.


A toada “Luar do Sertão”, música cantada desde Vicente Celestino a Maria Bethânia, fala com versos ingênuos a vida campestre e encanta pela simplicidade melódica, que Catulo sempre defendeu em toda a sua vida como sendo o único autor, mas atualmente também se dá crédito da melodia a João Pernambuco. 


Segundo historiadores, João Pernambuco teria modificado de uma canção anônima, um tema folclórico conhecido por “É do Maitá” ou “Meu Engenho é do Humaitá”, e mostrado a Catulo que colocou a letra nela. João Pernambuco era um homem simples, sequer alfabetizado era ele. Viveu entre 1883 a 1947, e foi admirado por Villa-Lobos, Almirante, e outras personalidades. No dia de seu enterro, Pixinguinha, Donga e alguns outros amigos, cantaram “Luar do Sertão” em sua homenagem.


A Flor do Maracujá - de Catulo da Paixão Cearense


Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?


Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.


Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.


Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.


Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.


I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá


Flor amorosa - de Catulo da Paixão Cearense e Joaquim Calado


Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor
Em uma taça perfumada de coral


Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei


Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Um beijo teu tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá


Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
Não deves mais fazer questão
Já perdi, queres mais, toma o coração
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não, sim ou não
Olha que eu estou ajoelhado


A te beijar, a te oscular os pés


Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Se tu não me quiseres perdoar
Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim


A mim, a mim
Oh, por que juras mil torturas
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?


Ao luar - de Catulo da Paixão Cearense 


Vê que amenidade
Que serenidade
Tem a noite em meio
Quando em brando enleio
Vem lenir o seio
De algum trovador!
O luar albente
Que do bardo a mente
No silêncio exalta
Chora tua falta
Rutilante estrela
De eteral candor


Vem meu anjo agora
Recordar nest’hora
Nosso amor fanado
Quando eu a teu lado
Mais que aventurado
Por te amar vivi!
Quero a fronte tua
Ver à luz da lua
Resplendente e bela
Descerra a janela
Que eu não durmo as noites
Só pensando em ti!


Até as flores mentem - de Catulo da Paixão Cearense 


Em um jardim à beira-mar
(fazia um luar de níveo albor
E o céu sem véu tinha o fulgor
Da cor do meu primeiro amor)
Estava ali a meditar
A meditar pensando em ti
Quando uma flor estando a sonhar
Do nosso amor falar ouvi


Compaixão! À flor eu disse então:
Ó tu que o coração conheces dela
Dize a mim se é vero o seu amor!
E a flor sonhando ainda
Assim me diz, assim:


"Ó feliz, tu és poeta!
A tua mais dileta flor
A nossa irmã de mais candor
Tem amor a ti ardente
Somente vive por te amar
E morrerá por te adorar!"


E a rosa ouvindo assim falar
Senti minh’alma a Deus voar
E de prazer, cheio de amor
Ia na flor um beijo dar…
E ouvi então a flor dizer:
"Eu quis magoar teu coração
Eu quis zombar da tua dor
A ti não tem, não tem amor!"


Luar do Sertão - de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco


Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão
Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão


Oh, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão
Esse luar lá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão


Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão
Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão


Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção e a lua cheia a nos nascer do coração


Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão
Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão


Coisa mais bela neste mundo não existe
Do que ouvir-se um galo triste
No sertão se faz luar
Parece até que a alma da lua é que descanta
Escondida na garganta desse galo a soluçar


Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão
Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão


Ah, quem me dera que eu morresse lá na serra
Abraçada à minha terra
E dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde à tarde a surunina
Chora a sua viuvez


Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão
Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão.


Ai de Mim! - de Catulo Paixão Cearense 


Foi um sonho te querer com doido amor
Foi loucura penhorar-te o coração
Dá-me mesmo assim ferido esse penhor
Não te peço nem te imploro gratidão
Guardo dentro deste peito por te amar
Uma dor que sempre e sempre cresce mais
Nem a tua ingratidão me vem matar
Nem a tua ingratidão me abranda os ais

Ai de mim! Ai de mim!
Por que matar-me assim?
Por que matar-me assim?

Este amor, ó este amor, me foi fatal
Nunca mais o meu sossego encontrarei
Tu, travessa, sorridente e jovial
Eu, em busca de minh’alma que te dei
Mas não posso te dizer por que razão
É mais doce o azedume desta dor
Serei teu e teu será meu coração
Não te posso, ó não, negar tão santo amor!


Ontem ao Luar - de Catulo da Paixão Cearense e Pedro Alcântara


Ontem ao luar, nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei,
Mas fitando o azul do azul do céu
a lua azul eu te mostrei.


Mostrando a ti, dos olhos meus correr senti
uma nívea lágrima e assim te respondi.
Fiquei a sorrir por ter o prazer
de ver a lágrima dos olhos a sofrer.


A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que só sei sentir?
É mister sofrer, para se saber
O que no peito o coração não quer dizer


Pergunta ao luar, travesso e tão taful,
De noite a chorar na onde toda azul,
Pergunte ao luar, do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão


Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
O seu calor, o amaríssimo travor do seu dulçor,
Sobe o monte à beira mar, ao luar,
Ouve a onda sobre a areia lacrimar,
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração


A penar e a derramar os prantos seus,
Ouve o choro perenal, a dor silente universal
Que é a dor maior... que é a dor de Deus...
Que é a dor maior... que é ador de Deus...


Os Olhos Dela - de Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida


Eu sou capaz de confessar


Aos pés de Deus


Que eu nunca vi em mundo algum


Un olhos como os teus


Eu não sei mesmo


Como os hei de comparar, não sei


Eu já tentei cantar


O teu divino olhar


 


Depois de tanto versejar


Debalde em vão


Depois de tanto apoquentar


A minha inspiração


Cheguei à triste conclusão


De que eu só sei sofrer


E o que teus olhos são


Não sei dizer


 


Deixa-te estar que quando eu morrer


Irei verter os prantos meus nos céus


Hei de contar em segredo a Deus


As travessuras desses olhos teus


Hei de mostrar ao Senhor Jesus


Ao Pai nos céus, apiedado


Meu coração crucificado


Nos braços teus de luz


 


Os olhos teus são lágrimas do amor


Os olhos teus são dois suspiros de uma flor


S]ao dois soluços d´alma


São dois cupidos de poesia


Que sinfonia tem o teu olhar


Que até às vezes já nos faz chorar!


Ai, quem me dera me apagar assim


À luz do teu olhar!


 


Os olhos teus


Quando nos querem castigar


Parecem dois astros de gelo


Que nos vêm gelar


Mas quando querem nos ferir


Direito o coração


Eu não te digo não


O que os teus olhos são


 


Pois quando o mundo quiser


De vez findar


Basta acendê-lo com um raio


Desse teu olhar


Que os olhos todos das mulheres


Que mais lindas são


Dos olhos teus


Não têm a irradiação


 


 


 


 


Recorda-te de Mim


de Catulo da Paixão Cearense


 


Recorda-te de mim quando de tarde


Gloriosa a morrer na luz do dia


E nos seios da noite a serrania


Em candores de neve se ocultar


Recorda-te de mim nesse momento


As estrelas saudosas do penar


 


Recorda-te de mim quando alta noite


Escutares um canto de tristeza


Descontando por toda a natureza


Nos formosos harpejos do luar


Recorda-te de mim quando acordares


E sentires no peito do adolescente


Um espirito em mágoa florescente


Uma hora em teu peito a suspirar


 


Recorda-te de mim quando no templo


Numa prece serena, doce e fina


Sob o altar florescido de Maria


Teus segredos à Virgem confiar


Recorda-te de mim nesse momento


Para que minha dor tenha um alento


E me deixe morrer com o pensamento


De que morro feliz só por te amar


 


 


 


Talento e Formosura


de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira


 


Tu podes ben


Guardar os dons da formosura


Que o tempo um dia


Há de implacável trucidar


Tu pode bem


Viver ufana de ventura


Que a natureza


Cegamente quis te dar


 


Prossegue embora


Em flóreas sendas sempre ovante


De glórias cheia


No teu sólio triunfante


Que antes que a morte


Vibre em ti funéreo golpe seu


A natureza irá roubando


O que deu


 


E quanto a mim


Irei cantando o meu ideal de amor


Que é sempre novo


No viçor da primavera


Na lira austera


Em que o Senhor me fez tão destro


Será meu estro


Só do que for imortal


 


Terei mais glória


Em conquistar com sentimento


Pensantes almas


De varões de alto saber


E com amor


E com pujança de talento


Fazer um bardo


Ternas lágrimas verter


 


Isto é mais nobre


É mais sublime e edificante


Do que vencer


Um coração ignorante


Porque a beleza é so matéria


E nada mais traduz


Mas o talento é só espirito


E só luz


 


Descantarei na minha lira


As obras-primas do Criador


O mago olor da flor


Desabrochando à luz do luar


O incenso d´água


Que nos olhos faz


A mágoa rutilar


Nuns olhos onde o amor


Tem seu altar


 


E o vende mar que se debruça


N´alva areia a espumejar


E a noite que soluça


E faz a luz soluçar


E a Estrela Dalva


E a Estrela Vésper languescente


Bastam somente


Para os bardos inspirar


 


Mas quando a morte


Conduzir-te à sepultura


O teu supremo orgulho


Em pó reduzirá


E após a morte


Profanar-te a formosura


Dos teus encantos


Mais ninguém se lembrará


 


Mas quando Deus


Fechar meu olhos sonhadores


Serei lembrado


Pelo bardos trovadores


Que os versos meus hão de na lira


Em magoas tons gemer


Eu morto embora


Nas canções hei de viver


 


 


 


Templo Ideal


de Catulo da Paixão Cearense e Albertino Pimentel


 


Olha estes céus, ó anjo, iluminados


De corações sofrentes e magoados


E o teu candor na tele cérula a brilhar


sob um trasflor de madrepérola


De versos consagrados


Com camafeus, opalas e turquesas


E as ametistas que tu exalas no falar


Com o éter da saudade, eterno marmor de sogrer


Um templo ideal eu vou te erguer


 


A teus pés terás a hiperdúlia da poesia


Ave-Maria dos meus ais!


Consagração do pranto deste santo coração


Virgíneo escrinio da ilusão


 


Ó, teus pés florei!


Com os meus estremos


Que são fluídos crisântemos


Deste amor com que te amei


Mandei a minha dor soluçar


Num resplendor de diademar


 


Do coração de essências lacrimosas


Que eu marchetei de rimas dolorosas


Fiz um míssil espiritural que adiamantei


Filigranei com os alvos lírios


Destas lágrimas saudosas


O teu altar num pedestal de mágoas


Eu fiz das águas do Jordão do meu penar


Tens uma grinalda em tua fronte constelei


 


Versos passionais


Meigas violetas, borboletas


Das ideías, orquídeas dos meus ais


Voai, saudosos, primorosos


Dulcorosos beija-flores


Dos tristores que eu lhe fiz dos amargores


Doces hóstias multicores


E um túríbulo da dores


Cujo incenso é a inspiração


Com amor e pura santidade


Guardo o culto da saudade


No meu coração


 


Eis o teu templo de aurirais fulgores


Que eu perfumei só com o ideal das flores


Arcanjos de ouro tendo às mãos ebúrneas liras


E a teu pés cantando em coro


Sobre um trono de safiras


Nos pedestais dos róseos alabastros


Verás dois astros: Tasso e Dante a soluçar!


Sobre o teu altar e debruçado em áurea cruz


Meu coração numa explosão de luz


 


Tu passaste por este jardim


de Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra


 


Tu passaste por este jardim!


Sinto aqui certo odor merencório


Desse branco e donoso jasmim


Num dilúvio de amoras pendeu


Os arcanjos choraram por mim


Sobre as folhas pendidas do galho


Que a luz de seus olhos brilhantes verteu


 


Tu passaste, que de quando em quando


Vejo nas rosas no hastil lacrimado


Das corolas de todas as flores


As minhas angústias, abertas em flores


Neste ramo que ainda se agita


Uma roxa saudade palpita


E esse cravo, no ardor dos ciúmes


Derrama os perfumes num poema de amor


 


De um suspiro deixaste o calor


Neste cálix de neve, estrelado


Neste branco e gentil monsenhor


Vê-se os íris de um beijo esmaltado


Tu deixaste num halo de dor


Nas violetas magoadas, sombrias


A tristeza das ave-marias


Que rezam teus lábios à luz do Senhor


 


Vejo a imagem da minha ilusão


Nessa rosa prostrada no chão


Meus afetos descansas nos leitos


Deste lindo amores-perfeitos


Como chora o vernal jasmineiro


Que me lembra o candor de teu cheiro!


Este cravo sangüíneo é uma chaga


Que se alaga no rubor da cor


 


As gentis magnólias em vão


Muito invejam teu rosto odoroso


Rosto que tem a conformação


De um suspiro adejando saudoso


E esses lírios têm a presunção


De imitar em seus níveos brancores


Esses dois ramalhetes de amores





 

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