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Publicado em: 24/02/2016 - 16:28:41

É possível mudar... sem mudar a maneira de votar?

Que Deus ilumine as mentes dos nossos políticos eleitos... e que os façam


entender todos os seus atos devem ser de conhecimento do população


Por Etevaldo Vieira de Oliveira*


A cada dois anos todos os municípios brasileiros vivem a experiência da soberana democracia, embora no Brasil, a democracia é parcial, já que o cidadão não tem o direito de opção quanto a votar ou não votar, ou seja, ir ou não às urnas, mas sim, é obrigado a fazê-lo. Democracia plena seria o eleitor ter a liberdade de escolha, inclusive quanto a ir ou não votar.


O dia que o voto for opcional, ou não obrigatório, o resultado das urnas será muito diferente. Pois aí, os mercenários dos votos, tanto os vendedores como os compradores, ficarão preocupados com a sua decisão de negócio eleitoral.


O candidato, que normalmente é o comprador, ficará receoso em “comprar e não levar”, pois o eleitor não é obrigado a dirigir-se a urna para votar. Isso, com certeza, fará com que muitos compradores de voto sofram prejuízos sem tamanho.


Por outro lado, o vendedor, que é o eleitor, sentir-se-á obrigado a fazer um ato de sua extrema liberdade, que é de ir ou não votar. Sentir-se-á incompetente e indigno para assumir sua condição de cidadão em plenas faculdades de ação, pois de forma vil e enganadora, está vendendo um bem que pode afetar não só a sua vida, como também a vida de milhares de pessoas, inclusive sua família, por no mínimo quatro anos e com consequências imprevisíveis para o futuro.


O maior incompetente, em se tratando de eleição, principalmente municipal, é o candidato comprador de votos. Inclusive aquele que contrato famílias inteiras como “cabos eleitorais”, por valores variáveis, com o intuito de assegurar aqueles votos.


Alguns até falam: “não precisa pedir voto não, basta você votarem mim”. Isso é uma verdadeira compra de voto, que a Justiça Eleitoral ainda não conseguiu coibir.


Tenho que quem compra voto é um incompetente, ditador e tão safado quanto ao eleitor que vende o voto. Não tem capacidade de com argumentos, conseguir angariar voto; é imponente e acredita que o dinheiro compra tudo, desmerecendo inclusive o que diz a Bíblia Sagrada quanto ao mau uso do dinheiro em benefício próprio ou colocando o dinheiro como o seu deus; é safado porque ludibria a consciência de eleitor, principalmente daquele que compactua com a safadeza.


E mais, o político que compra voto para ser eleito, com certeza, vai buscar, no exercício do cargo, recuperar todo o dinheiro gasto na campanha para refazer o seu patrimônio original. Por outro lado, o eleitor que vende o seu voto não pode mais cobrar o político eleito, pois já recebeu a sua paga antes da eleição.


A CORRUPÇÃO COMEÇA NO MUNICÍPIO E TEM COMO ATORES O CANDIDATO COMPRADOR DE VOTO E O ELEITOR QUE VENDEDOR DE VOTO.


Tudo o que está acontecendo hoje em Brasília, com o processo do “Mensalão” teve origem no município, que é onde se forma a consciência do eleitor e onde nasce o político corrupto e o eleitor que aceita pacificamente essa corrupção.


Não adianta o eleitor elogiar a honestidade do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, bem como de seus pares, se esse mesmo eleitor é corruptor quando da eleição municipal. O STF, embora tardiamente, acordou e começou a condenar “os grandes” da política brasileira. Devia ter começado há muito tempo, em outros julgamentos, pois a corrupção grassa com maior força em razão da inoperância e até da prepotência do Poder Judiciário, que muitas vezes castra as possibilidades de eleitores, entidades e instituições ter seus direitos garantidos.


Os eleitores brasileiros, assim como os políticos, necessitam de uma reciclagem em termos de consciência de que “o poder emana do povo e em seu nome é exercido” e que a venda do voto ou o voto por favorecimento, leva a criação de políticos corruptos e sugadores do dinheiro público.


ALÉM DE PENALIZAÇÃO DOS POLÍTICOS CORRUPTOS É NECESSÁRIO QUE SEJAM PENALIZADOS TAMBÉM OS ELEITORES CORRUPTORES. SE NÃO EXISTIR OS CORRUPTORES NÃO EXISTIRÁ CORRUPTOS.


Assim, ao reclamar de que o seu vereador ou de que a Câmara de Vereadores está inoperante e nada faz para benefício do município, o eleitor deve, antes de tudo, fazer uma análise de sua consciência e de suas ações como responsáveis pelo bem do seu município: SERÁ QUE HONESTAMENTE EU FIZ MINHA PARTE? Pode ser que descubra que o mal não está nos vereadores, mas sim, no próprio eleitor.


O Judiciário, principalmente os juízes de primeira instância, devem se reciclar em termos de legislação eleitoral, democracia, direitos e deveres dos eleitores, direitos e deveres dos órgãos de imprensa, liberdade de informação para solidificação da democracia e do bem estar social da população, pois povo bem informado é povo que tem mais discernimento do que é melhor, mais justo e mais legal.


A mordaça na imprensa, ou mesmo uma simples interpretação equivocada e sem levar em conta a tendência democrática e a liberdade de informação, faz com que os órgãos de imprensa retraiam e deixem de prestar as informações necessárias e úteis a qualquer sociedade.


OS TRIBUNAIS SUPERIORES JÁ TEM GARANTIDO SEGURANÇA AOS ÓRGÃOS DE IMPRENSA, ENTRETANTO, EM COMARCAS E JUÍZOS DE CIDADES PEQUENAS, ESSES DIREITOS NÃO SÃO INTEIRAMENTE RESPEITADOS. É NECESSÁRIA UMA RECICLAGEM NAS TEORIAS APLICADAS PELOS JUÍZOS DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.


A imprensa, baluarte da vigilância da sociedade, inclusive sobre o Judiciário, tem sido, desde a redemocratização do país, o maior esteio de defesa dos direitos da sociedade brasileira. É o grito que não se cala.


Já imaginou se todos os juízes do Brasil agissem como alguns juízes interioranos de primeira instância e condenassem as matérias publicadas nas revistas VEJA, ISTO É, ÉPOCA e jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e tantos outros. Condenassem as denúncias televisivas diárias que hoje assolam o Brasil.


SE ISSO TIVESSE OCORRIDO, HOJE A POPULAÇÃO DO BRASIL NÃO ESTAVA EXPERIMENTANDO A SERIEDADE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DO MENSALÃO.


Lá em cima, no Supremo Tribunal Federal o dever do Judiciário está sendo efetiva e soberanamente aplicado. A população brasileira está maravilhada com a atuação ímpar dos nobres ministros.


QUE O MAL SEJA CORTADO NA RAIZ, OU SEJA, NO MUNICÍPIO. SE VOCÊ QUER MOLDAR UMA ÁRVORE, COMECE QUANDO AINDA É UMA PLANTINHA, POIS “PAU QUE CRESCE TORTO, JÁ MAIS SE INDIREITA”.


*É jornalista, escritor e advogado pós graduado em Direitodo Estado (Direito Público).



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