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Publicado em: 01/07/2010 - 08:09:56

Editorial: 'FUTEBOL, RELIGIÃO E POLÍTICA'

                                                                           Etevaldo Vieira de Oliveira*


Acredito que seja a primeira vez que tenho a audácia ou perspicácia de escrever sobre três temas tão polêmicos para as pessoas.


 Polêmicos em razão de que em futebol, religião e política ninguém convence ninguém. Cada cidadão tem a opinião formada sobre o time que prefere, a (possível) religião que professa e a linha política que segue.


No futebol a situação é a mais irreversível, ou seja, ninguém muda de time que torce, nem sob pressão financeira ou psicológica. É incrível, mas mesmo os mais salafrários bandidos não mentem, mesmo sabendo que serão condenados pela sua fala.


Na religião, ninguém convence ninguém em uma discussão sobre o tema, isso quando abordado de forma lógica, ou seja, numa reunião com um católico, um protestante, um evangélico e um ateu, por mais argumentos que sejam usados, ninguém muda de opinião.


Na política a coisa já é um pouco diferente. Muitos até brigam quando em campanha em eleitoral, em discussões banais, onde, cada qual defende o seu candidato. Entretanto, essa firmeza é abalada quando o “jeitinho brasileiro” entra em funcionamento, ou seja, quando o poder econômico suplanta o poder ou capacidade ideológica. Quanto o voto deixa de ser “consciência” para ser moeda de troca de apoio a este ou àquele candidato.


Se o brasileiro fizesse política como faz com a religião e com o futebol, com certeza o nosso Brasil, os Estados e os Municípios estariam muito melhores. A maioria trata a política e os políticos como espertalhões, e com isso tratam o sagrado direito de voto, ou o próprio voto, como moeda de troca ou de angariação de dinheiro.


O que vemos é cidade de pequeno porte, aonde candidatos a vereadores chegam a gastar até 70 mil reais na ânsia de se elegerem. O que se vê são eleitores, que se julgam espertos, saírem atrás daqueles políticos que lhe dão dinheiro em troca do voto.


Na eleição passada, por incrível que pareça, candidatos a deputado estadual chegaram a garantir apoio de vereador, sobre o pretexto de contratação de cabos eleitorais, de nada mais nada menos que 15 mil reais.


A política está totalmente viciada e “chora menos quem pode mais”. Fica uma roda viva, onde “o eleitor quer vender o voto porque os eleitos não se preocupam com a solução dos problemas do povo”, e, os candidatos “compram os votos para não terem mais compromissos com o mesmo povo (eleitores).


Se os eleitores se preocupassem com a política de maneira séria como se preocupam com o futebol e com a religião, com certeza não teríamos políticos “fichas sujas”, não teríamos políticos comprando votos, comprando “representantes do povo”, comprando o próprio povo.


Os eleitores brasileiros demonstram muito mais dignidade ao torcer pelo seu time de futebol, pela sua crença religiosa (que é muito importante), do que com a eleição de vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes.


Os políticos querem dar dinheiro ao invés de fazer com que todo cidadão consiga, com o seu próprio trabalho, ganhar dinheiro para seu sustento. Preferem dar cestas básicas a lutar para arranjarem meios de trabalho à população de baixa renda. Preferem comprar o voto, através de cabos eleitorais e “lideranças” do que prestarem serviços permanentes em defesa de melhorias para o povo.


Neste ano tem eleição para deputados estadual e federal, para senador, para governador e presidente da República. Nota-se, porém, que para os cargos do executivo (governador e presidente) o eleitor ainda tem certa autonomia, usa o seu poder de discernimento, vota com a consciência e de acordo com a sua livre vontade. Talvez para senador da República isto ocorra também.


No entanto, para deputados, tanto estadual como federal, os eleitores são aliciados por “pequenas lideranças” locais, que usando de dinheiro e pequenos benefícios momentâneos ou instantâneos, compram os votos.


O que os eleitores teriam que perceber é que essas “pequenas lideranças”, em sua maioria, não estão preocupadas com as melhorias futuras para a população, mas sim, preocupadas, e tão somente, com a sua sobrevivência política.


Portanto, eleitor, analise com fria consciência quando for decidir a dar o seu voto a este ou aquele político. Analise também quem está “fazendo a ponte” entre o candidato e você. Tome cuidado, pois nesta ponte talvez você nunca vai ter chances passar.


 


                 Vai acabar morrendo afogado...


 


                                                           *É advogado e jornalista







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