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Publicado em: 13/05/2010 - 16:05:49

Quando a pessoa se auto denuncia...Aí é difícil!

Etevaldo Vieira de Oliveira*


O mundo moderno de hoje, com a alta tecnologia, quando o que está acontecendo em qualquer parte do mundo pode ser observado, de imediato ou em frações de segundos, até por quem está a mais de dez mil quilômetros de distância; quando os telescópios captam imagens de milhares e até milhões de anos luz e repassam imediatamente à população terrestre. Quando robôs são capazes de colher amostras de terras lunares ou planetárias e repassam para análise do cientista do planeta, é claro que o que acontece na ponta do nariz do cidadão brasileiro seja de conhecimento geral ou de pelo menos parte da comunidade.


Afora a corrupção política e empresarial, onde agentes e “laranjas” se confundem, onde a malha da legalidade tem dificuldades em detectar as malhas das falcatruas, onde os papéis, que são provas irrefutáveis e incontestáveis são armados para dar ares de legalidade, onde os “laranjas”, com raras exceções, chegam às barras dos tribunais e revelam a “verdade” verdadeira, onde poucos corruptos ou corruptores tem a honra (se é que pode dizer que conhecem isso) de denunciar ou aceitar a famigerada “delação premiada”,  tudo ou quase tudo é uma fantasia dos atores das novelas do poder.


Ainda bem que nos últimos anos o papel da imprensa e de algumas ONGs honestas, tem sido fundamental na divulgação de atos ímprobos de políticos, de administradores, de empresas e de ações fraudulentas. Embora, os grupos políticos “poderosos de hoje”, que dominam o Brasil, tenham tentado calar ações da imprensa, cercear o direito de informação e da população ser informada, contestar determinações judiciais e até zombar delas, como mormente está fazendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A imprensa vem sobrevivendo e é o baluarte da democracia e da liberdade de expressão em um país que a maioria dos governantes não quer que a verdade ”verdadeira” chegue aos ouvidos e olhos dos cidadãos.


Ultimamente, quem acompanha de perto os acontecimentos de um modo geral, mesmo que não seja psicólogo ou adivinho, vê claramente que os culpados estão “se entregando intima e espontaneamente”, só por suposição de que suas ações foram ou estão prestes a serem descobertas.


É provável que a matéria deste decenário que mais chama a atenção de leitores assíduos deste Jornal é justamente o Editorial, haja vista que sempre traz uma análise importante de fato ou fatos cotidianos, comentados e cunho ético-moral, principalmente em se tratando de gestores públicos de um modo geral. Este artigo não é destinado a este ou aquele agente público, mas sim de caráter geral e irrestrito.


 Agora, como muitas vezes está ocorrendo, muitos agentes públicos entende que o artigo foi destinado diretamente para ele. Aí já é outro problema, pois o autor não tem culpa se “a carapuça serviu justamente nele”. A consciência dele é que vai falar mais alto, trazer-lhe danos psicológicos, morais, insônia, doenças, e possivelmente, mais cedo ou mais tarde, arrependimento, desgosto ou desmoralização e problemas judiciais.


O povo, mesmo o cidadão menos culto, tem conhecimento do que está acontecendo em termos políticos em qualquer lugar do Brasil, e, respectivamente do seu Estado e do seu Município. Não altera o político atual querer enganar o cidadão. A história da “crise”, das “dívidas anteriores”, das “más vontades dos médicos”, da ”papelada obrigatória”, das “chuvas”, das “máquinas que recebeu quebradas”, isso tudo é balela “para boi dormir”. Ninguém mais acredita nisso.


E sabe por quê? Porque todos votam numa pessoa que acreditam ser capaz de solucionar problemas e não para ficar apenas reclamando dos problemas. O gestor tem que ter capacidade política e mental de resolver problemas, afinal de contas, o que altera ficar reclamando do passado ou mesmo da crise, se não fizer nada para resolver os problemas.


O gestor tem que descer do “salto alto do poder” e ouvir “a voz do povo”. Tenho certeza que o povo é mais sábio que o gestor, sabe tudo que acontece nas esquinas, nas conversas de botequins, nas rodinhas de amigos, nas fofocas dos políticos adversários e companheiros, nas empresas e pessoas contratadas pelos órgãos, quem do ‘grupo de elite’ comprou casas ou carros novos, quem anda em veículos oficiais fora de hora de expediente, quem trabalha para ganhar salários e quem ganha sem trabalhar, etc., etc. e etc.


O que acontece e quase sempre e o gestor não percebe ou não acredita é que qualquer cidadão percebe, é que sua fisionomia denuncia o mesmo, quando ele está desanimado, despreparado, desesperado, se denunciando por coisas erradas, desviando o olhar e andando de cabeça baixa. E quando a ‘carapuça serve’ então?


O que a maioria dos gestores fazem ao assumir o poder é colocar “companheiros” à sua volta, nos postos chaves da administração e não técnicos capacitados e com liberdade e conhecimento para dizer “sim” ou “não” nas mais polêmicas situações. Quantos administradores, mesmo em esferas superiores, pagam custo elevado, em todos os sentidos, por preferirem exclusivamente meros “companheiros” e não companheiros competentes. Companheiros despreparados são bajuladores, falam o que o chefe quer ouvir e não o que precisa dele ouvir. Para os companheiros tudo está muito bom, já que tem pouco conhecimento e às vezes pouca moral na sociedade, mas “sempre sai na foto”.


O administrador ou gestor que se preza, que quer honrar seus compromissos e manter o respeito e popularidade anteriores à ocupação do cargo, deve se cercar de amigos fiéis, capazes, eficientes e leais e não apenas de “companheiros”. Sempre emito a opinião de que vale mais receber “fogo amigo” do que se cercar de “amigo fogo”.


O bom administrador ou gestor, frente ao “fogo amigo” tem parceiros para ajudar a apagá-lo. Já se estiver rodeado de “companheiros” ou “amigos fogo”, jamais conseguirá debelar o incêndio, e, a curto ou até mesmo à longo prazo, sofrerá as conseqüências de suas escolhas.


Este artigo tem caráter geral e educativo para quem quiser armazená-lo. Não é direcionado individualmente a ninguém. Que faça bom proveito.


Agora, aquele que achar que a “carapuça” lhe serviu que também faça bom proveito.                                                


                                                                                                          *É advogado e jornalista.


 


 







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